Empreendimento
Nessa edição propõe-se articular o ambiente multidisciplinar, estabelecendo interdisciplinaridade entre tecnologia midiática e linguagem radiofônica. Nessa elaboração utiliza-se como elemento de convergência a plataforma da WEB RÁDIO EDUCATIVA. Tem-se a expectativa de uma comunicação dialógica, interativa e participativa ao cenário educacional. Essa motivação advém da observação do poder da locução desenvolvida pelo rádio, que produz emoção, imaginação e concentração cognitiva diferenciada da pura exposição visual. (Marcos Medeiros, 2016).
Pequena caixinha que carreguei quando em fuga
Para que suas válvulas não pifassem,
Que levei de casa para o navio e o trem
Para que meus inimigos continuassem a falar-me
Perto de minha cama, e para a minha angústia,
As últimas palavras da noite e as primeiras da manhã
Sobre suas vitórias e sobre meus problemas _ Prometa-me que não ficarás muda de repente.
Bertold Brecht
“A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é a transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados” (FREIRE, 1988: 69).
No que diz respeito à educação formal, a situação não é diferente. De acordo com o senso comum, cabe à escola ensinar a ler e a escrever. Ou seja, a linguagem oral, a importância do falar, grosso modo, não tem papel de destaque no ensino. “Esta concepção equivocada deve ser corrigida, pois as habilidades verbais exigidas pelo uso correto do código oral devem ser desenvolvidas e aperfeiçoadas mediante um trabalho contínuo, rigoroso e sistemático.” (REYZÁBAL, 1999: 55).
[…] a característica principal do suporte rádio, “a voz”, instaurava uma relação muito particular entre instância midiática e receptor: a de uma intimidade e conivência intelectual, ausentes tanto da imprensa quanto da televisão. […] a voz revela à audição atenta ou inconsciente, os movimentos da afetividade, sentimentos favoráveis ou desfavoráveis, o tremor das emoções, frieza ou paixão, as vibrações do espírito, sinceridade ou mentira. (CHARAUDEAU, 2006: 213).
O cinema não eliminou o teatro. A televisão não eliminou o rádio.[18] Cada meio antigo foi forçado a conviver com os meios emergentes. É por isso que a convergência parece mais plausível como uma forma de entender os últimos dez anos de transformações dos meios de comunicação do que o velho paradigma da revolução digital. Os velhos meios de comunicação não estão sendo substituídos. Mais propriamente, suas funções e status estão sendo transformados pela introdução de novas tecnologias.
[18] Para uma discussão proveitosa da ideia recorrente de que os novos meios de comunicação eliminam os antigos, veja Priscilla Coit Murphy, “Books Are Dead, Long Live Books!”, em Rethinking Media Change: The Aesthetics of Transition, David Thornburn e Henry Jenkins (eds.) (Cambridge, Massachusetts: MIT Press, 2003).
Mais que a visão, mais que o tato, o ouvido é o sentido da intimidade. […] Nossos ouvidos são muito sensíveis. Captam desde o tênue balanço de uma folha ao cair (10 decibéis) até a estrondosa decolagem de um foguete espacial (160 decibéis). Nessa escala cabe uma infinidade de tonalidades. Nossos ouvidos sentem.[…] O cérebro traduz sons em sentimentos (VIGIL, 2003: 32).
“Ao invés de falar de produtores e consumidores midiáticos em papéis separados, agora podemos vê-los como participantes que interagem uns com os outros de acordo com novas regras, que nenhum de nós entende por completo” (JENKINS).
O mundo da comunicação mudou radicalmente nos últimos anos. A audiência não se vê mais no papel de simples espectadora de eventos sobre os quais não possui qualquer controle.
Com os smartphones de alta capacidade, cada um de nós pode ser o responsável.
É necessário compreender este novo mundo sob uma ótica convergente, na qual as velhas e as novas mídias parecem entrar em total rota de colisão.
As mídias tradicionais são passivas. As mídias atuais, participativas e interativas. Elas coexistem e estão em rota de colisão.
Henry Jenkins, livro Cultura da Convergência.
“A Pragmática estuda a língua pelo ponto de vista dos usuários, observando tanto as escolhas feitas pelo autor, quanto o que ocorre quando se usa a língua em intenção social, além dos efeitos do uso sobre outros participantes em um ato de comunicação. Assim sendo, essa área da Linguística se ocupa de estudar o significado não das palavras isoladas de seu contexto, mas sim das palavras utilizadas em atos de comunicação. Na perspectiva pragmática, atentamos aos princípios e à prática do desempenho conversacional, observando-se todos os aspectos do uso e entendimento da língua”. (Leão, Luciana Braga Carneiro, 2013).
O uso da voz é uma das várias características da oralidade que a diferenciam da escritura. No rádio, a oralidade é aparente, ou seja, ela é, principalmente, o resultado que chega à audiência, pois parte do que é dito no microfone, sobretudo em programas informativos e educativos, tem como base um texto previamente escrito. Essa característica interfere diretamente na instância da recepção. Isso porque, o som e, sobretudo, a voz têm um grande poder de evocação que, com o auxílio de associações pessoais, permitem o chamado “diálogo mental”, ou seja, que os ouvintes criem as próprias imagens.


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